O que direi da sinestesia do ser eu, se anular-me da tua existência para concretizar o desejo que oculto soa em mim, com acordes imanentes e imbricados que desfalece-me os sentidos ao provocar o que de real a tua cobiça revela-me. Esta ausência rouba-me a face, mas não te incomodas porque o que queres é apenas uma imagem ainda que efêmera e dissimulada de mim, e que alegra-te neste momento, neste presente. O que será amanhã torna-se enigmático, esquipático e até ridículo, e transforma-nos em vidas, máquinas que fertilizam o árido sólido do egoísmo do eu para mim.Alimentarei o teu anseio de felicidade e não saberás quem sou, terás o que queres, pois não existe infortúnio em mim neste baile de máscaras, que não fui convidado, entrei porque avistei a ti somente, meu anseio, meu devaneio, possuidora de mim. Olhei tua figura solitária à procura de tua completude, enxerguei-a em meio ao baile que preparastes para encontrá-la. Eis-me aqui disposto a mascarar-me em teu nome, em teu bem-querer. Nesta festa bailamos, bailamos, e vivemos, e vivemos e morremos... Não uma morte obscura e infeliz, é que todos esperam; é glória; é êxtase; é inconsciência; é segurança, é flagelo para mim e para ti. Quando encontrares quem sou, não entenderás mais quem és tu, e quando perceberes isso serás então a tua morte e a minha ressurreição. O surgimento do agora na incerteza do esvaziar do nós para obtermos o outro para si, o que vai além do real, além do fictício, além de tuas forças vitalícias que aprofunda-se no mar destas desilusões chamada homem.
Line!!!, Valeu...


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